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4. Reportagem em Fotografia: "Sexualidade: As nossas visões"
Recepção dos participantes | Abertura da palestra e Apresentação dos resultados do questionário | | Lanche e Enquadramento psicológico da primeira relação sexual e da homossexualidade
![]() Apresentação do Dr. Constantino Santos |
![]() Eu tenho um dia-a-dia muito complicado, porque tenho pessoas da vossa idade sentadas à minha frente, muito zangadas, muito magoadas, muito revoltadasporque acham que lhes aconteceram coisas que nunca lhes deviam ter acontecido. E eu... estou sentado do outro lado a pensar assim: "Fazendo o que fez, só lhe podia ter acontecido isto. E agora como é que lhe vou explicar isto?" Se fosse só um era fácil... mas é um, outro e outro. |
![]() Vocês conhecem esta situação? ![]() E esta? Então eu tenho a sensação que vivemos num mundo em que se comunica muito: a sociedade da comunicação, da informacão ou será da sociedade da desinformação, da sociedade da treta? Nós somos fruto da sociedade em que crescemos. Cada um pensa pela sua cabeça, mas muito do que pensa é condicionado pelo que se passa à sua volta. Nós temos a cabeça cheia de imagens. As raparigas dão mais valor às emoções, mas os rapazes... vocês conhecem as situações das imagens? Já as viveram? Os rapazes contam o que fizeram e o que não fizeram para se mostrar com muita experiência e ver se alguém acredita. O pior é que há alguns que acreditam e se deixam influênciar por isso (...) |
![]() O mundo em que vocês estão a viver e em que eu vivo é o mundo da comunicação: "Há quem ainda não tenha descoberto os seus órgãos sexuais..." A parte complicada é que quando falámos de sexualidade estámos a falar do que acontece abaixo da cintura, mas abaixo da cintura não acontece nada. Se o problema fosse esse vocês não precisavam de ninguém para falar de sexualidade. Aliás, já nascem filhos desde a idade da pedra. Porque é que convidam um médico para falar sobre sexualidade? É que a sexualidade é mais do que sexo. Está fundamentalmente aqui, na cabeça. A grande confusão é que as pessoas pensam que a sexualidade está abaixo da cintura, só que abaixo da cintura é tudo automático. As pessoas confundem a sexualidade com sexo e quando encontram o sexo, muitas vezes chamam-lhes "amor". O problema é que o "sexo" não tem problema nenhum. Se tiver algum problema vocês estão doentes têm que ir ao médico. Se a "Educação Sexual" fosse educação do sexo, então também existia a Edução do Pulmão", a "Educação do Fígado", a "Educação do Intestino".... O sexo não se educa. Funciona em automático. Por isso é que os animais não têm problemas sexuais nenhuns. |
![]() "Sexo": quase todos os seres vivos têm, plantas ou animais. A "Sexualidade" é o modo como nos relacionamos com o sexo. A única espécie que tem problemas somos nós, porque escolhemos o que fazemos. Nos animais o sexo é automático. Nós somos os únicos que escolhemos. E se alguém decidir não escolher... já escolheu: decidiu escolher não escolher. |
![]() Nestes seres vivos a reprodução aqui é muito simples. Não há sexo. Uma célula dividiu-se em duas. As células filhas não têm pai nem mãe. A célula mãe desapareceu, faz parte das células filhas.
Este ser vivos também se "reproduzem assexuadamente". |
![]() Depois, surge a" reprodução sexuada" e as coisas complicam-se: há a mistura de material genéticos de dois progenitores. Estamos a falar dos "genes" e dos cromossomas". Este é o cariótipo humano. |
![]() O código genético está nas células todas. Estas células da imagem são diferentes. São as células que estão nos testículos e nos ovários, só têm metade dos cromossomas, metade do património genético: são os ovócitos (óvulos) e os espermatozóides. Estas são as únicas células do nosso corpo que têm metade do número de cromossomas, para que a quantidade dos cromossomas se mantenha constante ao longo das gerações. As pessoas quando nascem já são rapazes ou raparigas, por isso, quando chegam à puberdade começam a funcionar, respectivamente, os testículos e os ovários. |
![]() Sabem como funciona o sistema reprodutor? Nas raparigas todos os meses a partir dos 12, 13 anos há um ovócito que amadurece e vai para as trompas. Os rapazes, começam a ficar com aquela voz que de vez enquando falha, com barba, etc., o que significa que os testículos começaram a funcionar e a produzir os espermatozóides que são "campeões de natação": isto é muito importante, já vamos perceber porquê. |
![]() Os testículos (no rapaz), os ovários (nas raparigas), o pancreas que produz insulina (quem não tem insulina é diabético) as supra-renais que produzem a adrenalina (a tal que toda a gente quer), a tiróide, etc., são todos contralados por esta glândula muito pequenina que está aqui em cima, que se chama hipófise. |
![]() Isto significa que, ao contrário dos animais em que tudo é automático, a hipófise funciona sozinha em muitas coisas, mas noutras funciona em conjunto com a "massa cinzenta", porque nós pensamos. Então, nós vamos descobrir que somos muito diferentes dos animais. Basta pensarem nas vitelas. Elas nascem, colocam-se a pé e vão à procura de comida. Nós dependemos da mãe em bebé, aos 10 anos dependemos da mãe e em Itália aos 30 anos ainda dependem dos pais. |
![]() Isto é o ciclo das mulheres. As mulheres todos os meses têm menstruação. Isto que parece uma lição de grande ciência é conhecido há muito tempo. Esta figurinha estava bordada num lenço, daqueles que as mulheres camponesas da América do Sul usavam na cabeça e que tem quase 100 anos. Se virem o que aqui está é o cilo menstrual. Dia 1 a 28. Elas sabiam que o ciclo era de 28 dias. Então tem aqui a lua a pingar. Isto é a menstruação. Depois tem o sol. O sol significa terra seca, terra seca significa período infértil. Elas não tinham Internet, mas sabiam que a Terra quando não tem água é infértil. E conheciam bem o seu corpo, sabiam que depois da menstruação durante algum tempo a vagina estava seca, não era fértil. Depois, associavam a humidade ao período fértil. Após esse período voltava o período seco. |
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![]() Os rapazes a partir da puberdade produzem cerca de 200 mil espermatozóides. É esta célula depois de fecundada que vai evoluir para bebé, adulto e até sermos velhinhos. (...) Há três grandes assuntos que levam ao aparecimento de grandes problemas. Não são as bactérias, os vírus ou armas de destruição maciça. São estes três pensamentos: Pensei que... Julguei que... A culpa foi de... Não és livre de fugir das consequências! Nós somos diferentes dos animais. Se colocarmos comida à frente de um cão, ele se tem fome come, se não tem fome não come. Nós não. Podemos não ter fome e comer, ter fome e não comer. Há a anorexia, a obesidade... |
Os animais se estiverem no cio acasalam. E as pessoas? As pessoas pode ser de manhã, à tarde e à noite. Com um mais velho ou com um mais novo. Do mesmo sexo ou de outro sexo. Pode ser com adultos ou crianças. Pode ser com bonecas insufláveis, pode ser com animais (risos).Pode-se masturbar ou não, pode usar revistas para se excitar ou não... O problema complicado é que os órgãos sexuais não estão onde as pessoas pensam que eles estão. Aqui mora o principal órgão sexual. Na cabeça. Tudo o que está abaixo da cintura não tem problema nenhum. Não são os órgãos genitais que são geralmente o problema, esses funcionam sozinhos. O que não funciona sozinha é a cabeça e ela é que comanda o resto. É o hipotálamo, na cabeça, por onde passa todas as emoções e sentimentos que condiciona o relacionamento sexual e o sexo. (...) Então vamos voltar ao princípio. É que nós estamos aqui porque os vossos avós e os vossos pais tiveram relações sexuais. Qual é o problema? As questões na sexualidade são tão complicadas porque há questões práticas que temos que resolver: são as fraldas, os biberões, os miúdos com otites às 4h da manhã... Estas coisas têm a ver com a sexualidade, mas também com a cultura que nós temos. Os amigos, a televisão, as revistas... Todas essas coisas nos dão informações importantes, mas também não nos dão outras importantes. O que vai acontecer é que quando chegarmos à idade de perceber que há muitas pessoas muito diferentes de nós e depois temos que descobrir o que é verdade e o que não é verdade, o que é bom e o que não é bom, porque o que interessa que que o que faço faço com gosto. Nem sempre corre bem, mas o que interessa é que eu sei porque é que o fiz. Tudo isto para chegar aqui- à família. Não é uma questão de fazer ou não fazer. Saber dizer "não" é uma questão de liberdade. Há um milhão de motivos para dizer "não". ser livre é um deles. Tudo depende do que eu quero que me aconteça. Se ainda não estás disponível para ter filhos, então não estás em altura para ter sexo. Eu estou na consulta de planeamento familiar. Todas as pessoas que me aparecem estão convencidas que são diferentes do resto da humanidade. E são. O problema é que estão convencidos que: "Não me vai acontecer a mim. Claro que vai, não sejas idiota. Pode acontecer a todos os que se expõem". O método falha. Pois falha. Mas não vai falhar comigo. Há outra ideia que também me aparece muito na cosulta: "Toda a gente faz". E porque toda a gente faz ele(a) também pode fazer. Nem toda a gente faz. Só alguns. Alguns mentem. outros só se querem exibir. E o que os outros fazem não interessa. O que interessa é o que eu acho que devo fazer. |
| A Inglaterra é o segundo país da Europa onde se vendem mais contraceptivos e é o primeiro onde há mais grávidas adolescentes. 80% das mulheres em Inglaterra usam contraceptivos, mas as pessoas esquecem-se que as pilulas os preservativos e todos os métodos falham. | A chamada pílula do dia seguinte, que não é uma pílula, só impede a ovulação num terço dos casos. Portanto, a questão é esta. Não tem a ver com a pílula, não tem a ver com o preservativo. Amo-te nos dias pares, mas não nos dias ímpares (nem quando tiveres rugas). A questão é se os métodos funcionam ou não. |
Acho que paro por aqui. Agora respondo às vossas questões. Está bem? |
| Aluna: Gostava de fazer uma pergunta sobre uma frase que aqui foi mostrada que não sei se foi colocada como afirmação ou como pergunta. Eu não concordo com ela. Falou que só se devia iniciar a vida sexual se estivessemos preparados para ter filhos.Eu acho que não é necessariamente assim. Hoje em dia não acontece isso.Nós, a nossa geração, iniciamos a nossa vida sexual e não estamos a pensar ter filhos nem nada que se pareça. É a minha opinião, que eu gostava que comentasse. Obrigada. (palmas efusivas da assembleia. Médico: O que eu não quero é que as pessoas apareçam grávidas sem querer. Eu tenho um colega que tem três filhos que dizia o seguinte: Um filho é meu, os outros são filhos da pílula. A questão é: não sou eu que lhes vou dizer quando começar; se vai ser agora, se vai ser aos oitenta anos ou se nunca vai ser. A minha questãoé: não olhem para mim como médico, como se eu fosse capaz de fazer com que tenham ou não tenham filhos. Não há nenhuma tecnologia 100% fiável. O que nós temos são coisas que atrasam ou dificultam |
Aluno: A minha pergunta é: Quais são os riscos para a saúde da gravidez na adolescência? Médico: Do ponto de vista biológico, das hormonas, do útero, do ovário, das questões da fisiologia, se não mais de 16 anos não é complicado. Nem para o parto, com essa idade é muito complicado. Não se deseja que a gravidez aconteça nessa idade, não pelos riscos biológicos, o problema principal é: "O que é que vai acontecer áquela mãe e ao pai quando aquela criança nascer?" Os pais estão numa fase que ainda não têm emprego. Estão na escola. Muitas vezes acabam por abandonar a escola para tomar conta do bebé. Ou então, a criança vai crescer com os avós ou o pai tem que estudar e trabalhar. A partir desta idade o grande problema não é físico, os hospitais com a tecnologia que têm os os resolvem. O grande problema é como é que aquela criança vai crescer. |
Aluna: Acha que os jovens em Portugal não têm a informação necessária para se preveir da gravidez? Médico: Têm toda a informação. Imensa. Basta terem um computador em casa, porque lá está toda esta informação. O problema é perceberem e evitarem as situações de risco. Há uma coisa que eu chamo o efeito de totoloto. Se eu jogar uma vez por ano tenho menos probabilidade de ganhar, mas posso ganhar. O mesmo acontece quando não se usa o preservativo uma vez, pode engravidar ou apanhar uma DST. O mesmo acontece com a taxa de ineficácia da pílula, quantas mais vezes tiver relações sexuais maior é a probabilidade que ela falhe. As pessoas têm informação, não é uma questão de informação, é uma questão de estarem convecidos que pode aconter. |
| Aluna: Em Portugal há muitas adolescentes grávidas? Médico: Não, não há muitas, mas o problema é que esse número tem vindo a aumentar. |
Aluna: Na gravidez na adolescência o bebé tem problemas por a mãe ser adolescente? Médico: Perguntou-me se o bebé durante a gravidez sofre por a mãe ser muito jovem. Não. Antigamente achava-se que era muito perigoso. Infelizmente como começou a haver muita gravidez na adolescência a ciência conseguiu perceber que do ponto de vista físico para o bebé, não é assim muito complicado. O problema é depois a sua educação. Claro que o ideal é a partir dos 25 anos. |
Aluna: Eu tenho uma amiga que por acaso engravidou com 15-16 anos e foi ao médico. Ela fuma. O médico disse que era melhor não parar de fumar porque isso ainda ia prejudicar mais o bebé. Eu queria perguntar se realmente não é aconselhável deixar de fumar. Médico: Ao bocadinho já disse que falamos muito de ciência. A ciência evolui. Quando nós temos uma pessoa `à frente acabou a ciência exacta. Temos que ter em atenção as características da pessoa que temos á frente. Pode estra certo em termos científicos mas não ser adequado à pessoa, porque depois a pessoa sai do consultório e diz "eu não sou capaz de fazer isto". O que é mais certo aqui? É aconselhar: "O que é que eu quero fazer? O que é que eu posso fazer?" O ideal é que reduza. (...) |
| Médico: Se não há mais perguntas, vou ser eu a fazer a última: Sabem quem diz que a idade da primeira relação sexual deve ser atrasada? Alunos: (silêncio) Médico: A Organização Mundial de Saúde. A OMS em 1998 lançou um programa mundial cujo objectivo é que a idade da primeira relação sexual seja atrasada, por causa daqueles problemas todos que à pouco falámos. |
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