Apresentação do projecto Jovens Saudáveis em Acção:
Educação para a Saúde no Coração do Desenvolvimento Sustentável
O que é o projecto?
Objectivos
O projecto Jovens Saudáveis em Acção: Educação para a Saúde no Coração do Desenvolvimento Sustentável pretende fundamentalmente:
- dar voz aos alunos em relação à saúde dos jovens
- promover a interacção democrática dos jovens com os adultos sobre a saúde e a educação para a saúde
- desenvolver a educação para a saúde orientada para a acção e participação dos alunos numa perspectiva de escolas promotoras de saúde democráticas
- promover a participação genuína dos alunos na selecção dos problemas de saúde, nas suas visões sobre eles e nas tomadas de decisão envolvidas no processo de acção
- partilhar as acções de promoção da saúde realizadas nas várias escolas envolvidas neste projecto
- explorar visões sobre a saúde e a promoção da saúde entre alunos da mesma escola, entre outras escolas envolvidas no projecto e, quando possível, com outras escolas nacionais e estrangeiras
- desenvolver e testar estratégias para conhecer como é que os projectos de educação para a saúde orientados para a acção e participação com utilização das TIC podem fortalecer o trabalho das escolas na educação para a saúde
- desenvolver métodos para incorporar as perspectivas anteriores no currículo escolar de maneira a inspirar e informar outros alunos e professores interessados
Formas de integração na escola
O projecto pode incluir actividades curriculares disciplinares, curriculares não disciplinares e de enriquecimento curricular dentro de uma das seguintes modalidades:Educação para a saúde centrada na turma
O projecto pode ser desenvolvido por turmas individuais ou a trabalhar em conjunto, preferencialmente do 7º ao 12º ano de escolaridade, em actividades curriculares disciplinares e/ou curriculares não disciplinares e/ ou de enriquecimento curricular. Também deve incluir actividades para pais/ encarregados de educação, comunidade escolar e comunidade local.
Educação para a saúde pelos pares com líderes monitoresEducação para a saúde pelos pares com turmas monitoras
O projecto pode ser organizado a partir de turmas monitoras que desenvolvem o seu próprio projecto no primeiro ano, onde fazem formação e preparam o material didáctico para implementar o projecto, no ano lectivo seguinte, noutra turma da mesma ou de outra escola, com colegas da mesma idade ou mais novos.
O projecto pode ser organizado a partir de um grupo de alunos líder (Associações de Estudantes e/ou Delegados de Turma e/ ou Clubes/ Núcleos de alunos), que se inscrevem voluntariamente, para fazer uma formação e se tornam, no ano lectivo seguinte, "monitores" que desenvolvem o projecto a nível da escola, com colegas da mesma idade ou mais novos.
Metodologia do processo de ensino e de aprendizagem
A metodologia de trabalho proposta é fazer o ensino orientado para a acção. Este tipo de ensino, dentro da perspectiva democrática, envolve trabalhar num campo amplo do conhecimento que inclui conhecimentos não só acerca das consequências dos problemas de saúde mas, também, das suas causas, das visões sobre o futuro e do conhecimento sobre estratégias para encontrar soluções (Vilaça, 2006a). Este conhecimento orientado para a acção é um conhecimento interdisciplinar complexo, construído num processo partilhado de diálogo crítico, reflexão, desenvolvimento de visões, planificação e tomada de acção como parte do processo de ensino e aprendizagem (Simovska, Jensen, 2003).
Os conceitos de competência de acção e acção têm-se tornado conceitos centrais na comunidade científica nas discussões sobre educação para a saúde (e ambiente), especialmente no âmbito das escolas promotoras de saúde (Vilaça, 2006a). Neste sentido, os alunos deverão durante toda a sua vida escolar trabalhar para fortalecer o seu desejo e habilidade para serem capazes de influenciar as condições que influenciam a sua saúde e o ambiente, por outras palavras, deverão desenvolver a sua habilidade para agir a sua competência de acção (Jensen, 1994 a).
É importante compreender como é que os professores e os alunos realmente tomam parte na resolução dos problemas com os quais podem desenvolver a sua competência de acção (Jensen, 1997a; Vilaça, 2006a; 2007). A abordagem S - IVAM (selecção do problema - investigação - visão - acção & mudança) de Jensen e colaboradores (e.g. Jensen, 1997a; Simovska, Jensen, 2003) tem sido desenvolvida como um instrumento prático que pode ser usado nas escolas para estruturar as actividades de educação para a saúde (e ambiente). Esta metodologia parte do presuposto que os alunos em conjunto com os professores deverão desenvolver as etapas seguintes dentro do projecto de Educação para a Saúde:
1º - Selecção do tema e avaliação do projecto
Os objectivos das actividades iniciais incluem definir quais são as prioridades temáticas e os objectivos propostos pelos participantes e promover a reflexão sobre alguns dos possíveis indicadores de avaliação e de valorização do trabalho realizado pela turma ao longo do projecto (Vilaça, 2006).
No processo de avaliação os jovens deverão decidir (Jensen, 2000):
- Quem vai avaliar?
- Quem vai ser avaliado?
- O que vai ser avaliado?
- Quais deverão ser os instrumentos de recolha de dados e quando deverão ser aplicados? (Isto é, grelha de observação, diário de aula, entrevistas, questionários, portfolio dos alunos, etc.)
2º - Selecção do sub-tema/ problema
Os objectivos das actividades neste primeiro contacto com o tema ou problema são principalmente dois:
i) proporcionar condições para os jovens estudarem as ideias iniciais de si próprios e dos colegas sobre o tema ou problema seleccionados; e
ii) encorajar os jovens a começarem a escolher problemas pessoais ou da comunidade sobre o tema seleccionado, para os resolver ou ajudar a resolver.
3º - Investigações
O primeiro objectivo das actividades desta fase do projecto é promover nos jovens uma construção de conhecimento coerente orientado para a acção, sobre o conteúdo ou problema que escolheram, nomeadamente:
(1º) Que tipo de problema é? - conhecimento sobre as consequências.
É o conhecimento sobre a natureza e o alcance do problema que visa a construção de um conhecimento mais de natureza científica, como ponto de partida para os alunos sentirem vontade para agir (Jensen, 2000). Este tipo de conhecimento pode ser sobre os efeitos do vírus da imunodeficiência humana no nosso sistema imunitário, as consequências de um determinado comportamento sexual (tal como, não usar preservativo ou não tomar a pílula) ou as consequências da maturidade sexual no despertar do desejo sexual, na redefinição da imagem corporal e na identidade de género ou na resposta sexual (Vilaça, 2006a). Este tipo de conhecimento tipicamente capacita-nos para considerar afirmações tais como: “Se eu fizer isto, então isto pode acontecer” ou “se as condições ou circunstâncias são estas, então o risco disto poderá aumentar” (Simovska, Jensen, 2003).
(2º) Porque temos os problemas que temos? - conhecimento sobre as causas.
Isto significa conhecer quais são os determinantes sociais que estão subjacentes ao nosso comportamento sexual (Jensen, 2000), por exemplo: que aspectos das nossas condições de vida têm mais efeito no nosso uso ou não uso de métodos contraceptivos?; porque é que há jovens que não usam o preservativo?, porque razão há discriminação de género na nossa sociedade?; porque é que a responsabilidade da contracepção geralmente não é partilhada pelo par amoroso?; porque é que os jovens podem não recusar ter relações sexuais não protegidas? (Vilaça, 2006a)
Esta análise faz emergir a influencia dos factores culturais, sociais e económicos no nosso comportamento (Jensen, 1994b).
(3º) Como podemos mudar as coisas? - conhecimento sobre as estratégias de mudança.
É o conhecimento sobre como controlar a nossa própria vida e como contribuir para mudar as condições de vida na sociedade (Jensen, 2000). Este conhecimento inclui, por exemplo, aprender como encorajar a co-operação para facilitar o acesso à educação sexual ou a consultas sobre saúde sexual; criar um plano para desenvolver regras sobre os comportamentos aceitáveis para os adolescentes, por exemplo, responsabilidade sexual na utilização de métodos contraceptivos ou de prevenção de doenças de transmissão sexual, não discriminação da homossexualidade ou dos doentes com Sida; trabalhar em conjunto com os adultos, por exemplo pais ou membros da comunidade local, para organizar palestras, debates e e-fóruns a partir da escola (Vilaça, 2006a).
O segundo objectivo desta fase do projecto é criar condições, durante estas investigações, para os jovens se sentirem encorajados e comprometidos com a resolução do problema inicialmente seleccionado ou com o(s) problema(s) que foram emergindo durante o estudo do tema que escolheram.
4º - Visões
As visões reflectem a nossa habilidade para encontrar as possibilidades reais para realizar e desenvolver os nossos sonhos e ideias em relação à nossa própria sexualidade, comportamento sexual, etc..Criar visões implica trabalhar a quarta dimensão do conhecimento orientado para a acção:
Para onde queremos ir? - conhecimento sobre alternativas e visões.
Esta dimensão inclui conhecer como é que as pessoas pensam e se comportam em relação às coisas noutras culturas e lugares, próximas e afastadas, pois o conhecimento sobre outras possibilidades pode ser uma forte fonte de inspiração para desenvolver as nossas próprias visões (Jensen, 2000).
O principal objectivo das actividades, nesta fase do projecto, é facilitar o desenvolvimento de visões nas várias dimensões contidas num conceito de saúde amplo e positivo, construído pelos jovens (Vilaça, 2006a).
5º - Acção
No conceito de competência de acção estão integradas três orientações principais: é baseado na noção holística de saúde (que consiste nas condições de vida e nos estilos de vida dos indivíduos); é orientado para a acção (dirigido para iniciar mudanças) e envolve a participação activa dos alunos (Jensen, 1997a). Para os alunos desenvolverem a competência de acção, a abordagem educativa deverá proporcionar condições para que sejam capazes de construir uma compreensão e conhecimento que lhes permita ver que possibilidades têm para agir por si próprios e que possibilidades têm para agir como grupo. A competência de acção também tem que ser a competência para decidir os nossos próprios hábitos e ser capaz de os realizar. Isto muitas vezes significa ser capaz de colaborar com as outras pessoas na mudança das condições colectivas para a vida do dia-a-dia. Claro que tal colaboração tem que ser o resultado ou uma espécie de debate democrático, incluindo tentativas de análise crítica (Vilaça, 2006a).
O primeiro elemento na definição de acção é que a pessoa decida activamente fazer alguma coisa, quer seja uma questão de mudança de comportamento ou uma tentativa para influenciar as condições de vida (Jensen, 1994a). Como consequência, uma acção tem duas características chave dentro do paradigma democrático da educação para a saúde: deve ser premeditadamente dirigido para resolver um problema e isso deverá ser decido pelos que desenvolvem a acção. Por outras palavras, uma acção é voltada para a mudança: a mudança do nosso próprio estilo de vida, na escola, na sociedade local ou na sociedade global (Jensen, 1997 a). Em muitas ocasiões há a tendência para igualar as acções com as mudança de comportamento (Jensen, 1994 a; Jensen, Nielsen, 1996; Jensen, Schnack, 1994; Simovska, Jensen, 2003). A acção é algo mais que o comportamento; é um comportamento qualificado. Primeiro e acima de tudo é qualificado por ser intencional; todo o corpo físico pode ter comportamentos, mas só o ser humano pode agir. A acção é o meio humano essencial de comportamento. Isto não significa que a acção é o meio típico de comportamento, em sentido quantitativo. Os seres humanos também são corpos e, principalmente, comportam-se como entidades físicas e animais. A nossa vida diária é principalmente um curso de consciência e um curso de hábitos. Em muitos sentidos, os hábitos parecem-se mais com o comportamento do que com a acção. Ou, pode-se dizer, que os hábitos não são qualificados como sendo conscientes e intencionais. Especialmente os chamados maus hábitos podem mesmo apresentar-se a si próprios como mais ou menos forçados ou como obsessões (Schnack, 1994).
As acções individuais estão muitas vezes relacionadas com os estilos de vida, por exemplo, se um adolescente decide falar com o seu/ a sua parceiro(a) para terem a primeira relação sexual protegida, esta é uma acção individual dirigida para a mudança do seu estilo de vida. Por outro lado, se o adolescente vota num referendo sobre a colocação de máquinas com preservativos nas escolas secundárias, de acordo com o previsto na lei; se envia uma notícia para o jornal local sugerindo medidas de suporte para promover a saúde sexual e reprodutiva dos jovens; ou se propõe aos órgãos de gestão da escola medidas para desenvolver a educação sexual, está a realizar uma acção individual dirigida para a mudança das condições de vida (Vilaça, 2006a).
As acções colectivas são geralmente dirigidas para mudar as condições de vida, por exemplo, se um grupo de adolescentes que têm a mesma compreensão sobre o problema a resolver, define um objectivo comum, por exemplo,ajudarem os outros a desenvolverem as competências necessárias para usar o preservativo ou para tomarem outras opções responsáveis em áreas específicas da sua sexualidade, esta é uma acção colectiva dirigida para a mudança dos estilos de vida. Por outro lado, se um grupo de adolescentes decide intencionalmente promover a criação de parcerias entre a escola e os agentes da comunidade (Centro de Saúde, Câmara Municipal, Instituto Português da Juventude, etc.) para melhorar o suporte da comunidade à saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes, estão a fazer acções colectivas dirigidas para as mudanças de condições de vida (Vilaça, 2006a).
Nesta fase do projecto é importante orientar o conhecimento para a planificação e desenvolvimento da acção.
Teresa Vilaça, Dezembro de 2007
(ver mais em Condições de participação)