{\rtf1\mac\ansicpg10000\uc1 \deff4\deflang1033\deflangfe1033{\upr{\fonttbl{\f0\fnil\fcharset256\fprq2{\*\panose 02020603050405020304}Times New Roman;}{\f4\fnil\fcharset256\fprq2{\*\panose 02000500000000000000}Times;}
}{\*\ud{\fonttbl{\f0\fnil\fcharset256\fprq2{\*\panose 02020603050405020304}Times New Roman;}{\f4\fnil\fcharset256\fprq2{\*\panose 02000500000000000000}Times;}}}}{\colortbl;\red0\green0\blue0;\red0\green0\blue255;\red0\green255\blue255;
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\red128\green128\blue128;\red192\green192\blue192;}{\stylesheet{\widctlpar\adjustright \f4\lang2070\cgrid \snext0 Normal;}{\*\cs10 \additive Default Paragraph Font;}{\s15\widctlpar\tqc\tx4320\tqr\tx8640\adjustright \f4\lang2070\cgrid \sbasedon0 \snext15 
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{\title  Viagem virtual \'88 depress\'8bo de Mirandela:}{\author DCT}{\operator DCT}{\creatim\yr1999\mo10\dy5\hr12\min26}{\revtim\yr1999\mo10\dy25\hr16\min25}{\printim\yr1999\mo10\dy1\hr9\min53}{\version3}{\edmins1}{\nofpages7}{\nofwords3710}
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\deftab709\widowctrl\ftnbj\aenddoc\hyphhotz0\sprstsp\otblrul\brkfrm\sprstsm\truncex\nolead\msmcap\lytprtmet\hyphcaps0\viewkind1\viewscale100 \fet0\sectd \sbknone\headery737\footery737\colsx737\endnhere\sectdefaultcl {\header \pard\plain \s16\widctlpar
\tqc\tx4320\tqr\tx8640\adjustright \f4\lang2070\cgrid {\i\fs20 Encontros de Geomorfologia, Universidade de Coimbra, 1999
\par }}{\footer \pard\plain \s15\qr\widctlpar\tqc\tx4320\tqr\tx8640\pvpg\phpg\posx9974\posy15934\absw576\adjustright \f4\lang2070\cgrid {\field{\*\fldinst {\cs17\fs20 PAGE  }}{\fldrslt {\cs17\fs20\lang1024 7}}}{\cs17\fs18 
\par }\pard \s15\widctlpar\tqc\tx4320\tqr\tx8640\adjustright {
\par }}{\*\pnseclvl1\pnucrm\pnstart1\pnindent720\pnhang{\pntxta .}}{\*\pnseclvl2\pnucltr\pnstart1\pnindent720\pnhang{\pntxta .}}{\*\pnseclvl3\pndec\pnstart1\pnindent720\pnhang{\pntxta .}}{\*\pnseclvl4\pnlcltr\pnstart1\pnindent720\pnhang{\pntxta )}}
{\*\pnseclvl5\pndec\pnstart1\pnindent720\pnhang{\pntxtb (}{\pntxta )}}{\*\pnseclvl6\pnlcltr\pnstart1\pnindent720\pnhang{\pntxtb (}{\pntxta )}}{\*\pnseclvl7\pnlcrm\pnstart1\pnindent720\pnhang{\pntxtb (}{\pntxta )}}{\*\pnseclvl8
\pnlcltr\pnstart1\pnindent720\pnhang{\pntxtb (}{\pntxta )}}{\*\pnseclvl9\pnlcrm\pnstart1\pnindent720\pnhang{\pntxtb (}{\pntxta )}}\pard\plain \qc\li284\ri255\nowidctlpar\adjustright \f4\lang2070\cgrid {\f0\fs36  }{\f0\fs32 Viagem\~virtual\~\u224\'88\~
depress\u227\'8bo\~de Mirandela:\~exemplo\~da\~aplica\u231\'8d\u227\'8bo\~das TIC\~na\~transposi\u231\'8d\u227\'8bo\~campo\~-\~sala\~de\~aula\~em\~Geoci\u234\'90ncias}{\b\f0\fs22 
\par }\pard \qj\li284\ri255\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 
\par }\pard \qc\li284\ri255\nowidctlpar\adjustright {\f0 Pereira, D. I. & Brilha, J. B.
\par 
\par Departamento de Ci\u234\'90ncias da Terra, 
\par Universidade do Minho, 4710-057 Braga}{\f0\fs22 
\par }\pard \qj\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 
\par }{\b\f0\fs22 1. Introdu\u231\'8d\u227\'8bo: Aulas de Campo em Geoci\u234\'90ncias
\par }\pard\plain \s18\qj\nowidctlpar\adjustright \f4\fs22\lang2070\cgrid {\f0 
\par No \u226\'89mbito do ensino das Geoci\u234\'90ncias, as ac\u231\'8d\u245\'9bes de campo t\u234\'90m uma import\u226\'89ncia decisiva no cumprimento de objectivos estabelecidos em variadas disciplinas desta \u225\'87
rea. Se por um lado, uma parte dos programas de ensino envolve pr\u225\'87ticas de sala de aula e laboratoriais, \u233\'8e globalmente reconhecida a import\u226\'89ncia das observa\u231\'8d\u245\'9bes de campo como instrumentos de aprendiza
gem (ex: Compiani & Carneiro, 1996). O desenvolvimento de ac\u231\'8d\u245\'9bes de campo permite realizar observa\u231\'8d\u245\'9bes de escala dificilmente reprodut\u237\'92veis em laborat\u243\'97
rio, em especial entre a escala de afloramento e da vista panor\u226\'89mica (ou da paisagem). Com efeito, a leitura e interpreta\u231\'8d\u227\'8bo da paisagem constitui um tema de dif\u237\'92cil abordagem na sala de aula.
\par }\pard\plain \qj\nowidctlpar\adjustright \f4\lang2070\cgrid {\f0\fs22 
\par Apesar da import\u226\'89ncia que \u233\'8e reconhecida \u224\'88s ac\u231\'8d\u245\'9bes de campo, em geral \u233\'8e limitado o n\u250\'9cmero de ac\u231\'8d\u245\'9b
es realizadas ao longo do ano lectivo. Este facto pode ser explicado por alguns dos seguintes factores condicionantes:
\par 
\par }\pard \qj\fi-160\li160\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 \bullet \~Carga curricular elevada e sua distribui\u231\'8d\u227\'8bo semanal;
\par \bullet \~Custo geralmente elevado, em particular quando a ac\u231\'8d\u227\'8bo \u233\'8e de dura\u231\'8d\u227\'8bo superior a um dia (facto obrigat\u243\'97rio para sa\u237\'92das de campo que envolvam desloca\u231\'8d\u245\'9bes superiores a 400 km);

\par }\pard\plain \s19\qj\fi-160\li160\nowidctlpar\adjustright \f4\lang2070\cgrid {\f0\fs22 \bullet \~Reduzida disponibilidade dos alunos durante a semana (e mesmo ao fim-de-semana) pois as sa\u237\'92
das obrigam ao abandono de rotinas adquiridas (aulas, tempos livres);
\par }\pard\plain \qj\fi-160\li160\nowidctlpar\adjustright \f4\lang2070\cgrid {\f0\fs22 \bullet \~Reduzida disponibilidade dos docentes, pois estas ac\u231\'8d\u245\'9bes s\u227\'8bo, em geral, realizadas para al\u233\'8em da carga lectiva atribu\u237\'92da;

\par \bullet  Condi\u231\'8d\u245\'9bes de acessibilidade para grandes grupos, pois em muitos casos o acesso n\u227\'8bo \u233\'8e poss\u237\'92vel para autocarros de grandes dimens\u245\'9bes, e para alunos portadores de defici\u234\'90ncias f\u237\'92sicas;

\par \bullet \~Meteorologia adversa, que dificulta e prejudica a realiza\u231\'8d\u227\'8bo das ac\u231\'8d\u245\'9bes, em especial as realizadas durante os meses de Novembro a Mar\u231\'8do. H\u225\'87 ainda a considerar as caracter\u237\'92sticas clim\u225
\'87ticas t\u237\'92picas da regi\u227\'8bo onde se realiza a ac\u231\'8d\u227\'8bo, por exemplo, cobertura dos afloramentos por neve, inunda\u231\'8d\u227\'8bo de frentes de observa\u231\'8d\u227\'8bo em antigas pedreiras, etc.
\par }\pard \qj\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 
\par Face aos factores enunciados, s\u227\'8bo v\u225\'87rios os cen\u225\'87rios poss\u237\'92veis para os casos em que as ac\u231\'8d\u245\'9bes de campo constituem, de facto, um m\u233\'8etodo de ensino a implementar:
\par 
\par }\pard \qj\fi-140\li140\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 \bullet \~Apesar das dificuldades apontadas, ou outras, realizam-se todas as ac\u231\'8d\u245\'9bes de campo consideradas necess\u225\'87rias; 
\par \bullet \~Realizam-se parte das ac\u231\'8d\u245\'9bes consideradas necess\u225\'87rias, suprimindo os temas e objectivos das ac\u231\'8d\u245\'9bes n\u227\'8bo realizadas; 
\par \bullet \~Realizam-se parte das ac\u231\'8d\u245\'9bes, substituindo as restantes com recurso a materiais audiovisuais, multim\u233\'8edia ou outros;
\par \bullet \~Nenhuma ac\u231\'8d\u227\'8bo \u233\'8e realizada, sendo substitu\u237\'92das com recurso aos m\u233\'8etodos alternativos apontados. 
\par }\pard \qj\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 
\par Os objectivos a atingir com uma viagem de estudo ou aula de campo realizada no \u226\'89mbito das Geoci\u234\'90ncias s\u227\'8bo variados}{\b\f0\fs22 .}{\f0\fs22  Em qualquer dos casos, as ac\u231\'8d\u245\'9b
es de campo, devem ser cuidadosamente planeadas, de forma a que se obtenha a m\u225\'87xima rentabiliza\u231\'8d\u227\'8bo do investimento efectuado (quer seja em trabalho, tempo ou mesmo financeiro). A fase de prepara\u231\'8d\u227\'8b
o deve envolver, para al\u233\'8em da consolida\u231\'8d\u227\'8bo das no\u231\'8d\u245\'9bes te\u243\'97ricas b\u225\'87sicas, uma atenta observa\u231\'8d\u227\'8bo e interpreta\u231\'8d\u227\'8bo de materiais de apoio, como poder\u225\'87
 ser o caso da cartografia geogr\u225\'87fica, geomorfol\u243\'97gica e geol\u243\'97gica, bem como de perfis, dados num\u233\'8ericos e outros seleccionados de acordo com os objectivos espec\u237\'92ficos. Est\u225\'87 generalizada a utiliza\u231\'8d
\u227\'8bo de documentos fotogr\u225\'87ficos e de videogramas como instrumentos de prepara\u231\'8d\u227\'8bo das ac\u231\'8d\u245\'9bes de campo, permitindo suscitar a aten\u231\'8d\u227\'8bo dos formandos, indicando os aspectos a observar mais tarde }{
\i\f0\fs22 in situ}{\f0\fs22 . A experi\u234\'90ncia adquirida pelos autores revela ainda que \u233\'8e muito importante a utiliza\u231\'8d\u227\'8bo posterior destes meios audiovisuais como forma de consolida\u231\'8d\u227\'8bo da aprendizag
em de campo. Por outro lado, quando a realiza\u231\'8d\u227\'8bo das ac\u231\'8d\u245\'9bes de campo n\u227\'8bo \u233\'8e poss\u237\'92vel, estes mesmos meios de trabalho podem e devem ser utilizados em sua substitui\u231\'8d\u227\'8b
o. Com esta proposta n\u227\'8bo se pretende desvalorizar ou propor a substitui\u231\'8d\u227\'8bo das viagens de estudo e aulas de campo. Pretende-se mesmo salientar a import\u226\'89ncia destas actividades, tamb\u233\'8em como meio de transmiss\u227\'8b
o de valores naturalistas e ambientais.
\par 
\par Os instrumentos tecnol\u243\'97gicos, devem pois ser vistos exactamente como meios a utilizar como refor\u231\'8do ou como alternativa nos casos em que as ac\u231\'8d\u245\'9bes externas n\u227\'8b
o podem ser realizadas. Neste sentido, os docentes devem estar preparados para utilizar e aproveitar todas as possibilidades oferecidas pela inesgot\u225\'87vel sociedade tecnol\u243\'97gica.
\par 
\par }{\b\f0\fs22 2. As ferramentas inform\u225\'87ticas e as viagens de estudo virtuais
\par }{\f0\fs22 
\par O aparecimento e implanta\u231\'8d\u227\'8bo das chamadas Tecnologias da Informa\u231\'8d\u227\'8bo e da Comunica\u231\'8d\u227\'8bo (TIC) constitui um factor a ter em conta quando se planeiam ac\u231\'8d\u245\'9bes de ensino e de divulga\u231\'8d\u227
\'8bo. Entre as principais vantagens na utiliza\u231\'8d\u227\'8bo de meios inform\u225\'87ticos no ensino e divulga\u231\'8d\u227\'8bo de aspectos geol\u243\'97gicos, podem referir-se: 
\par 
\par }\pard \qj\fi-120\li140\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 \bullet \~Divulga\u231\'8d\u227\'8bo alargada a um p\u250\'9cblico geograficamente disperso e numeroso; 
\par \bullet \~Actualiza\u231\'8d\u227\'8bo dos conte\u250\'9cdos e respectiva disponibiliza\u231\'8d\u227\'8bo em tempo real;
\par \bullet \~Custos de produ\u231\'8d\u227\'8bo e de divulga\u231\'8d\u227\'8bo muito reduzidos relativamente aos meios tradicionais;
\par \bullet \~Possibilidade de integrar conte\u250\'9cdos multim\u233\'8edia que mais facilmente poder\u227\'8bo ajudar a visualizar e a compreender determinados aspectos e conceitos geol\u243\'97gicos;
\par \bullet \~Desenvolvimento de conte\u250\'9cdos interactivos, decerto mais estimulantes para um p\u250\'9cblico n\u227\'8bo especialista.
\par }\pard \qj\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 
\par N\u227\'8bo obstante estes argumentos, existem ainda algumas raz\u245\'9bes que devem ser encaradas quando se planeia uma divulga\u231\'8d\u227\'8bo electr\u243\'97nica:
\par 
\par }\pard \qj\fi-120\li140\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 \bullet \~O acesso \u224\'88 Internet ainda n\u227\'8bo \u233\'8e universal e est\u225\'87 dependente de uma rede relativamente lenta o que impede, muitas das vezes, uma utiliza\u231\'8d\u227\'8b
o c\u243\'97moda e eficiente; 
\par \bullet \~Incompatibilidades t\u233\'8ecnicas - os conte\u250\'9cdos multim\u233\'8edia necessitam da instala\u231\'8d\u227\'8bo das \u250\'9cltimas vers\u245\'9bes dos programas de navega\u231\'8d\u227\'8bo (}{\i\f0\fs22 browsers}{\f0\fs22 
) e, por vezes, de programas acess\u243\'97rios (}{\i\f0\fs22 plug-ins}{\f0\fs22 ) exigindo do interactor algum \u224\'88-vontade no manuseamento do seu equipamento inform\u225\'87tico.
\par }\pard \nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 
\par }\pard \qj\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 O desenvolvimento de um projecto de divulga\u231\'8d\u227\'8bo ou de ensino de aspectos geol\u243\'97gicos por meios electr\u243\'97nicos envolve o estabelecimento de uma metodologia pr\u243\'97
pria que passa por:
\par 
\par }\pard \qj\fi-100\li100\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 \bullet \~Organiza\u231\'8d\u227\'8bo da informa\u231\'8d\u227\'8bo dispon\u237\'92vel j\u225\'87 publicada; 
\par \bullet \~Obten\u231\'8d\u227\'8bo de informa\u231\'8d\u227\'8bo complementar (dados de campo, estudos mineral\u243\'97gicos e petrol\u243\'97gicos, recolha de imagens, etc.);
\par \bullet \~Estabelecimento da estrutura das p\u225\'87ginas HTML;
\par \bullet \~Constru\u231\'8d\u227\'8bo das p\u225\'87ginas HTML (com poss\u237\'92vel disponibiliza\u231\'8d\u227\'8bo gradual \u224\'88 medida que v\u227\'8bo sendo conclu\u237\'92das);
\par \bullet \~Montagem final de toda a estrutura.
\par }\pard\plain \s18\qj\sb240\nowidctlpar\adjustright \f4\fs22\lang2070\cgrid {\f0 A publica\u231\'8d\u227\'8bo em meios electr\u243\'97nicos deve ser feita em parceria com os ge\u243\'97logos e os especialistas de inform\u225\'87
tica. Os primeiros devem ter em conta que a publica\u231\'8d\u227\'8bo electr\u243\'97nica tem regras muito diferentes das utilizadas nos meios tradicionais. Por exemplo, os textos devem ser curtos, simples e sem utiliza\u231\'8d\u227\'8b
o de uma linguagem especializada, o que envolve dificuldades acrescidas quando se pretende manter o rigor cient\u237\'92fico da mensagem. O trabalho isolado dos t\u233\'8ecnicos de inform\u225\'87
tica sem o apoio dos geocientistas conduz, inevitavelmente, ao decr\u233\'8escimo da fiabilidade cient\u237\'92fica do produto final.
\par }\pard\plain \qj\nowidctlpar\adjustright \f4\lang2070\cgrid {\b\f0\fs22 
\par }{\f0\fs22 \u201\'83 consensual que a melhor forma de divulgar graficamente aspectos geol\u243\'97gicos \u233\'8e recorrendo \u224\'88
 fotografia ou, quando tal se justifique, a esquemas interpretativos. Contudo, na maior parte das vezes, como a fotografia apresenta um campo de vis\u227\'8bo limitado pela lente utilizada, muitos aspectos perdem alguma contextualiza\u231\'8d\u227\'8b
o na paisagem envolvente. As dificuldades s\u227\'8bo acrescidas quando, a partir de uma qualquer paisagem geol\u243\'97gica fotografada, se pretendam evidenciar determinados pormenores, cuja ilustra\u231\'8d\u227\'8bo s\u243\'97 seja poss\u237\'92
vel recorrendo a t\u233\'8ecnicas fotogr\u225\'87ficas diferenciadas, tais como a macro fotografia ou a microfotografia. Existem igualmente outros aspectos geol\u243\'97gicos cuja ilustra\u231\'8d\u227\'8bo n\u227\'8bo \u233\'8e
 simples recorrendo exclusivamente a uma fotografia, como \u233\'8e o caso particular de objectos cujo aspecto se modifique com diferentes \u226\'89ngulos de observa\u231\'8d\u227\'8bo (por exemplo, formas erosivas, f\u243\'97
sseis, cristais). Em outros casos, quando existe uma vasta distribui\u231\'8d\u227\'8bo geogr\u225\'87fica de pontos de interesse geol\u243\'97gico, seria \u243\'97ptimo que a visualiza\u231\'8d\u227\'8bo da respectiva paisagem se fizesse numa panor\u226
\'89mica de 360\u176\'a1, o que se torna manifestamente imposs\u237\'92vel ou de dif\u237\'92cil visualiza\u231\'8d\u227\'8bo com t\u233\'8ecnicas fotogr\u225\'87ficas convencionais.
\par Actualmente existe a possibilidade de produzir ilustra\u231\'8d\u245\'9bes que ultrapassam algumas das dificuldades citadas, apresentando a informa\u231\'8d\u227\'8bo visual de uma forma mais \u250\'9c
til e atractiva, podendo constituir verdadeiras "visitas virtuais" quando h\u225\'87 a manifesta impossibilidade de ir aos pr\u243\'97prios locais. Um desses exemplos \u233\'8e a ferramenta de Realidade Virtual }{\i\f0\fs22 QuickTime VR}{\f0\fs22 . Refor
\u231\'8da-se contudo a ideia de que, por muito ilustrativa que seja a Realidade Virtual, nada substitui (pelo menos por enquanto), em termos ilustrativos, pedag\u243\'97gicos ou cient\u237\'92ficos, a visita aos pr\u243\'97prios locais.
\par 
\par O }{\i\f0\fs22 QuickTime}{\i\f0\fs22\up10 \u174\'a8}{\i\f0\fs22  VR}{\f0\fs22  (QTVR) \u233\'8e uma tecnologia inform\u225\'87tica de Realidade Virtual, criada pela }{\i\f0\fs22 Apple Computer}{\f0\fs22\up10 \u169\'a9}{\f0\fs22 , que a partir de informa
\u231\'8d\u227\'8bo fotogr\u225\'87fica, produz ilustra\u231\'8d\u245\'9bes bastante realistas de paisagens ou de objectos, sem recurso a qualquer tipo de programa\u231\'8d\u227\'8bo. \u201\'83 poss\u237\'92vel, atrav\u233\'8es da sua utiliza\u231\'8d
\u227\'8bo, produzir cenas interactivas de elevada qualidade gr\u225\'87fica, as quais podem ser lidas atrav\u233\'8es da movimenta\u231\'8d\u227\'8bo do rato sobre a imagem, desde que o }{\i\f0\fs22 software}{\f0\fs22  }{\i\f0\fs22 QuickTime}{\f0\fs22 
 (de distribui\u231\'8d\u227\'8bo gratuita) esteja instalado no computador. A difus\u227\'8bo dos conte\u250\'9cdos QTVR produzidos pode ser feita atrav\u233\'8es de qualquer suporte digital (Zip, CD-ROM, DVD ou mesmo Disquete de 3.5\u180\'ab\u180\'ab
) ou atrav\u233\'8es da Internet. Uma explica\u231\'8d\u227\'8bo mais t\u233\'8ecnica sobre o manuseamento deste }{\i\f0\fs22 software}{\f0\fs22  e suas limita\u231\'8d\u245\'9bes foi apresentada em Brilha }{\i\f0\fs22 et al.}{\f0\fs22 
 (1999). Alguns exemplos nacionais da utiliza\u231\'8d\u227\'8bo desta tecnologia podem ser consultados }{\i\f0\fs22 on-line}{\f0\fs22  nas p\u225\'87ginas do Parque Nacional da Peneda-Ger\u234\'90s (http://www.geira.pt/pnpg) e nas p\u225\'87
ginas do Geopor (http://www.geopor.pt). 
\par 
\par \u192\'cb primeira vista, a apresenta\u231\'8d\u227\'8bo de uma imagem panor\u226\'89mica em computador n\u227\'8bo \u233\'8e mais do que um pequeno v\u237\'92deograma. Por\u233\'8em, ao n\u237\'92vel da interactividade, o computador apresenta incontorn
\u225\'87veis vantagens relativamente a um tradicional filme. Tal como j\u225\'87 foi referido, o }{\i\f0\fs22 QuickTime VR}{\f0\fs22  permite a produ\u231\'8d\u227\'8bo de cenas panor\u226\'89micas at\u233\'8e 360\u176\'a1
, de objectos rotativos ou cenas com a combina\u231\'8d\u227\'8bo dos dois. Isto significa que podemos produzir uma panor\u226\'89mica de uma determinada paisagem com possibilidade de liga\u231\'8d\u227\'8bo a outras panor\u226\'89
micas (tomadas de outro local, por exemplo), ou a objectos (por exemplo, observa\u231\'8d\u227\'8bo microsc\u243\'97pica de uma dada amostra litol\u243\'97gica com simula\u231\'8d\u227\'8bo da rota\u231\'8d\u227\'8bo da platina), ou a p\u225\'87
ginas de informa\u231\'8d\u227\'8bo complementar (por exemplo, composi\u231\'8d\u227\'8bo qu\u237\'92mica das amostras seleccionadas na panor\u226\'89mica, dados paleontol\u243\'97gicos ou estratigr\u225\'87
ficos, etc.). Esta interactividade permite que o utilizador avance para n\u237\'92veis de informa\u231\'8d\u227\'8bo cada vez mais aprofundados e, virtualmente, sem limites. A aprendizagem pode assim beneficiar, na medida em que os interactores v\u227\'8b
o avan\u231\'8dando, ao seu pr\u243\'97prio ritmo, para conceitos cada vez mais complexos.
\par }\pard \nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 
\par }\pard \qj\nowidctlpar\adjustright {\b\f0\fs22 3. Um exemplo: viagem de estudo virtual \u224\'88 depress\u227\'8bo de Mirandela
\par }{\f0\fs22 
\par O planeamento desta actividade pode seguir duas }{\b\f0\fs22 metodologias}{\f0\fs22  distintas:
\par 
\par }\pard \qj\fi-320\li340\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 (1)\~Segundo um plano em que s\u227\'8bo indicados os objectivos, dados e propostas de interpreta\u231\'8d\u227\'8bo, com a identifica\u231\'8d\u227\'8bo dos aspectos indicados e a discuss\u227\'8b
o das interpreta\u231\'8d\u245\'9bes propostas pelo formador; 
\par (2)\~Segundo uma perspectiva construtivista, em que o aluno ou formando \u233\'8e convidado a efectuar um trabalho de recolha de informa\u231\'8d\u227\'8bo, avan\u231\'8dando por si pr\u243\'97prio para a interpreta\u231\'8d\u227\'8bo final que ser\u225
\'87 posteriormente discutida. 
\par }\pard \qj\nowidctlpar\adjustright {\b\f0\fs22 
\par }{\f0\fs22 O }{\b\f0\fs22 itiner\u225\'87rio}{\f0\fs22  \u233\'8e disponibilizado em dois mapas complementares. Um que permite localizar a regi\u227\'8bo de Mirandela num contexto nacional e um mapa esquem\u225\'87tico com indica\u231\'8d\u227\'8b
o dos locais de paragem ou de tomada de imagem.
\par 
\par Os }{\b\f0\fs22 objectivos}{\f0\fs22  a alcan\u231\'8dar s\u227\'8bo independentes da natureza real ou virtual da viagem de estudo.
\par 
\par Objectivos gerais: 
\par }\pard \qj\fi-120\li140\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 
\par \bullet \~Integrar dados geomorfol\u243\'97gicos, sedimentol\u243\'97gicos e estratigr\u225\'87ficos no sentido da formula\u231\'8d\u227\'8bo de um modelo gen\u233\'8etico da paisagem. 
\par \bullet \~Compreender a forma\u231\'8d\u227\'8bo e evolu\u231\'8d\u227\'8bo da depress\u227\'8bo tect\u243\'97nica de Mirandela.
\par }\pard \qj\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 
\par Objectivos espec\u237\'92ficos: 
\par 
\par }\pard \qj\fi-120\li140\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 \bullet \~Observa\u231\'8d\u227\'8bo e identifica\u231\'8d\u227\'8bo de aspectos diversos a escalas diversas, nomeadamente: 
\par 
\par }\pard \qj\fi-400\li560\nowidctlpar\tx684\adjustright {\f0\fs22 (1)\tab ao n\u237\'92vel do afloramento, as litologias (substrato herc\u237\'92nico e sedimentos terci\u225\'87rios) e estruturas tect\u243\'97nicas presentes; 
\par (2)\tab ao n\u237\'92vel do afloramento, as estruturas sedimentares presentes nas diversas forma\u231\'8d\u245\'9bes cenoz\u243\'97icas e as rela\u231\'8d\u245\'9bes geom\u233\'8etricas com o substrato; 
\par (3)\tab observa\u231\'8d\u245\'9bes de macroescala com apoio cartogr\u225\'87fico, identificando as diferentes superf\u237\'92cies, basculamentos, falhas, rede fluvial.
\par }\pard \qj\fi-120\li300\nowidctlpar\tx684\adjustright {\f0\fs22 
\par }\pard \qj\fi-120\li140\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 \bullet  Interpreta\u231\'8d\u227\'8bo de: 
\par 
\par }\pard \qj\fi-380\li520\nowidctlpar\tx644\adjustright {\f0\fs22 (1)\tab paleoambientes sugeridos pelas forma\u231\'8d\u245\'9bes geol\u243\'97gicas observadas; 
\par (2)\tab rela\u231\'8d\u245\'9bes entre a morfologia, as litologias que constituem o substrato herc\u237\'92nico e as estruturas geol\u243\'97gicas (falhas, dobras); 
\par (3)\tab idade relativa das superf\u237\'92cies e das forma\u231\'8d\u245\'9bes cenoz\u243\'97icas em fun\u231\'8d\u227\'8bo das posi\u231\'8d\u245\'9bes que ocupam no terreno e das suas caracter\u237\'92sticas intr\u237\'92nsecas;
\par }\pard \qj\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 
\par }{\b\f0\fs22 4. Material de apoio: S\u237\'92ntese sobre a depress\u227\'8bo de Mirandela
\par }{\f0\fs22 
\par Este texto de s\u237\'92ntese pode ser utilizado como apoio dos docentes que realizem uma viagem real, ou utilizado em suporte inform\u225\'87tico durante uma viagem virtual. Neste caso, destaca-se a possibilidade de aceder a imagens obtidas em escalas n
\u227\'8bo dispon\u237\'92veis em viagem real, como \u233\'8e o caso da escala microsc\u243\'97pica ou a dados laboratoriais e outros, como as fotografias a\u233\'8ereas ou de sat\u233\'8elite.
\par 
\par As caracter\u237\'92sticas e interpreta\u231\'8d\u245\'9bes geomorfol\u243\'97gicas e sedimentol\u243\'97gicas referidas neste texto, correspondem maioritariamente a observa\u231\'8d\u245\'9bes que podem ser efectuadas durante a ac\u231\'8d\u227\'8b
o proposta. Algumas informa\u231\'8d\u245\'9bes obtidas por meio laboratorial complementam as restantes.  Estes dados constituem uma s\u237\'92ntese de trabalho mais alargado (Pereira, 1998). Textos e conte\u250\'9cdos multim\u233\'8e
dia podem ser consultados em http://www.dct.uminho.pt.
\par 
\par }{\b\f0\fs22 4.1. Geomorfologia
\par 
\par }{\f0\fs22 A depress\u227\'8bo tect\u243\'97nica de Mirandela est\u225\'87 associada \u224\'88 movimenta\u231\'8d\u227\'8bo vertical de falhas de direc\u231\'8d\u227\'8bo pr\u243\'97xima de N-S, com destaque para uma falha principal com maior express\u227
\'8bo morfol\u243\'97gica que afecta os dep\u243\'97sitos cenoz\u243\'97icos situados entre Torre de D. Chama e Mirandela (Pereira, 1998). O car\u225\'87cter activo da falha de Mirandela \u233\'8e evidenciado pela sua sismicidade.
\par Falhas subparalelas situadas para leste, limitam blocos escalonados a altitudes diversas, at\u233\'8e ao n\u237\'92vel da superf\u237\'92cie fundamental transmontana, situada entre os 700 e os 800 metros. Mais para leste, define-se a depress\u227\'8b
o de Macedo de Cavaleiros, cujo n\u237\'92vel de base se situa cerca de 300 metros acima do n\u237\'92vel de base da depress\u227\'8bo de Mirandela.
\par Para oeste do bloco abatido, define-se  uma superf\u237\'92cie basculada para leste e na qual se identifica um estreito n\u237\'92vel de sedimentos provenientes da eros\u227\'8bo dos relevos da serra de S. Comba e de outros relevos de menor express\u227
\'8bo situados a norte (Rio Torto) - dep\u243\'97sitos de Suc\u231\'8d\u227\'8bes. A serra de S. Comba eleva-se um pouco acima dos 1000 metros e constitui uma relevo residual quartz\u237\'92tico, sendo evidente a actual fase de regulariza\u231\'8d\u227
\'8bo do seu perfil, com acumula\u231\'8d\u227\'8bo na vertente sul de um dep\u243\'97sito recente, conglomer\u225\'87tico, de matriz essencialmente siltosa e il\u237\'92tica. Os quartzitos que constituem este relevo t\u234\'90m continuidade para NW, at
\u233\'8e \u224\'88 serra da Padrela. O maci\u231\'8do gran\u237\'92tico aflorante a norte deste relevo, prolonga-se para leste at\u233\'8e Valpa\u231\'8dos e Torre de D. Chama. \u201\'83 neste sector, em pleno substrato gran\u237\'92
tico, que os rios Raba\u231\'8dal e Tuela perdem o seu car\u225\'87cter encaixado. Para jusante, cortam uma banda de rochas quartz\u237\'92ticas, ao longo de uma rede de fracturas ortogonais. O rio Tua resulta da conflu\u234\'90ncia do Raba\u231\'8d
al e do Tuela, 2 km imediatamente a norte de Mirandela. De entre os seus afluentes, salienta-se a ribeira de Carvalhais com origem no flanco sul da Serra da Nogueira. Ap\u243\'97s atravessar o maci\u231\'8do gran\u237\'92tico d
e Romeu, instala-se, no seu sector final, sobre a falha de Mirandela. 
\par 
\par O abatimento da depress\u227\'8bo em cerca de 300 metros, \u233\'8e tamb\u233\'8em evidenciado pela posi\u231\'8d\u227\'8bo das  banda quartz\u237\'92tica relativamente \u224\'88s mesmas litologias situadas a oeste. O rio Tua, que percorre 
 cerca de 40 km at\u233\'8e atingir o rio Douro, volta a evidenciar um vale encaixado j\u225\'87 pr\u243\'97ximo da sua foz, a partir do ponto de fecho da depress\u227\'8bo.
\par A principal acumula\u231\'8d\u227\'8bo de sedimentos situa-se no centro da depress\u227\'8bo, a norte de Mirandela, junto \u224\'88 conflu\u234\'90ncia dos rios Raba\u231\'8dal e Tuela e um pouco mais a norte no interfl\u250\'9c
vio definido entre o Tuela e a ribeira de Carvalhais. 
\par 
\par Esta depress\u227\'8bo, tal como as que se identificam a ocidente em rela\u231\'8d\u227\'8bo com o acidente tect\u243\'97nico de Bragan\u231\'8da-Vilari\u231\'8da-Manteigas, t\u234\'90m sido referidas como bacias de desligamento e t\u234\'90
m origem na reactiva\u231\'8d\u227\'8bo alpina de acidentes herc\u237\'92nicos, com uma importante componente de movimento horizontal (Cabral, 1995; Pereira, 1998). Constitu\u237\'92ram zonas de acumula\u231\'8d\u227\'8bo e conserva\u231\'8d\u227\'8b
o de sedimentos cenoz\u243\'97icos, cuja eros\u227\'8bo tem vindo a ser efectuada pelo encaixe da rede fluvial (Pereira, 1998).
\par 
\par }{\b\f0\fs22 4.2. Estratigrafia e Sedimentologia
\par 
\par }{\f0\fs22 Na depress\u227\'8bo de Mirandela \u233\'8e poss\u237\'92vel observar algumas das caracter\u237\'92sticas que permitiram diferenciar tr\u234\'90s forma\u231\'8d\u245\'9bes cenoz\u243\'97icas (Pereira, 1998). Para estas forma\u231\'8d\u245\'9b
es foi indicadas idades situadas entre o Mioc\u233\'8enico superior e o Plioc\u233\'8enico inferior (Fm. de Bragan\u231\'8da), Plioc\u233\'8enico superior (Fm. de Mirandela) e nas proximidades da transi\u231\'8d\u227\'8bo Plioc\u233\'8enico-Quatern\u225
\'87rio (Fm. de Aveleda).
\par 
\par A }{\b\f0\fs22 Forma\u231\'8d\u227\'8bo de Bragan\u231\'8da}{\f0\fs22  \u233\'8e uma forma\u231\'8d\u227\'8bo com car\u225\'87cter polim\u237\'92tico nas frac\u231\'8d\u245\'9bes grosseira e arenosa  e esmect\u237\'92tica na frac\u231\'8d\u227\'8b
o argilosa. No contexto da depress\u227\'8bo tect\u243\'97nica de Mirandela esta forma\u231\'8d\u227\'8bo apresenta algumas caracter\u237\'92sticas particulares, a observar:
\par 
\par }\pard \qj\fi-160\li160\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 \bullet \~A cor avermelhada da matriz;
\par \bullet \~O car\u225\'87cter subanguloso dos clastos, revelando um transporte curto;
\par \bullet \~O ligeiro predom\u237\'92nio do quartzo, sobre filitos, quartzoliditos, vulcanitos e feldspatos;
\par \bullet \~As estruturas de barras conglomer\u225\'87ticas e canais areno-conglomer\u225\'87ticos.
\par \bullet \~Esmectite, caulinite e ilite e valores pouco significativos de goethite na frac\u231\'8d\u227\'8bo argilosa.
\par }\pard \qj\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 
\par O conjunto de dados recolhidos nesta \u225\'87rea permitiu interpretar:
\par 
\par }\pard \qj\fi-160\li160\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 \bullet \~Uma organiza\u231\'8d\u227\'8bo fluvial, revelada pelo entran\u231\'8damento de canais com larguras entre 10 e 20 metros e pela presen\u231\'8da de barras conglomer\u225\'87ticas;
\par \bullet \~Condi\u231\'8d\u245\'9bes de estabilidade deposicional nesta \u225\'87rea na fase de deposi\u231\'8d\u227\'8bo de um importante n\u237\'92vel lut\u237\'92tico;
\par \bullet \~Um origem pr\u243\'97xima para os sedimentos imaturos que evolu\u237\'92ram em ambiente confinado;
\par \bullet \~A rela\u231\'8d\u227\'8bo desta unidade com um clima caracterizado por temperaturas m\u233\'8edias a elevadas e sazonalidade marcada.
\par }\pard \qj\nowidctlpar\adjustright {\b\f0\fs22 
\par }\pard\plain \s18\qj\ri6\nowidctlpar\adjustright \f4\fs22\lang2070\cgrid {\f0 A }{\b\f0 Forma\u231\'8d\u227\'8bo de Mirandela}{\f0  tem uma espessura superior a 30 metros e uma express\u227\'8bo cartogr\u225\'87fica muito reduzida. Em afloramento s\u227
\'8bo observ\u225\'87veis:
\par 
\par }\pard\plain \qj\fi-140\li160\nowidctlpar\adjustright \f4\lang2070\cgrid {\f0\fs22 \bullet \~A forma estreita e profunda dos paleovales  talhados no substrato;
\par \bullet \~A cor esbranqui\u231\'8dada ou amarelada dos sedimentos; 
\par \bullet \~A sucess\u227\'8bo de n\u237\'92veis conglomer\u225\'87ticos de matriz arenosa, intercalados com alguns n\u237\'92veis arenosos estreitos e raros lutitos; 
\par \bullet \~Os clastos, medianamente desgastados e essencialmente quartzosos. 
\par \bullet \~Na frac\u231\'8d\u227\'8bo argilosa a caulinite \u233\'8e largamente predominante sobre a ilite.
\par }\pard\plain \s18\qj\ri6\nowidctlpar\adjustright \f4\fs22\lang2070\cgrid {\f0 
\par As caracter\u237\'92sticas observadas permitem interpretar na Forma\u231\'8d\u227\'8bo de Mirandela:
\par 
\par }\pard\plain \qj\fi-120\li140\nowidctlpar\adjustright \f4\lang2070\cgrid {\f0\fs22 \bullet \~A representa\u231\'8d\u227\'8bo de dois eixos de drenagem definidos a partir da orienta\u231\'8d\u227\'8bo dos paleovales e da caracteriza\u231\'8d\u227\'8b
o dos sedimentos. 
\par }\pard\plain \s19\qj\fi-120\li140\nowidctlpar\adjustright \f4\lang2070\cgrid {\f0\fs22 \bullet \~Clastos com uma origem parcial em granit\u243\'97ides; estas litologias forneceram, ap\u243\'97s a sua altera\u231\'8d\u227\'8b
o, grande quantidade de areias de quartzo e feldspato. Das rochas metassedimentares encaixantes est\u227\'8bo representados os n\u237\'92veis mais resistentes. 
\par }\pard\plain \qj\fi-120\li140\nowidctlpar\adjustright \f4\lang2070\cgrid {\f0\fs22 \bullet \~As litof\u225\'87cies conglomer\u225\'87ticas maci\u231\'8das ou com organiza\u231\'8d\u227\'8bo incipiente s\u227\'8b
o largamente dominantes e representam essencialmente a deposi\u231\'8d\u227\'8bo em fundo de canal, com reduzida representa\u231\'8d\u227\'8bo de barras conglomer\u225\'87ticas. Ao longo do perfil \u233\'8e
 repetitivo o preenchimento grosseiro dos canais com dimens\u227\'8bo m\u233\'8etrica, sempre cortados por canais semelhantes. Em alguns casos persistem as litof\u225\'87cies arenosas e lut\u237\'92ticas corresponde
ntes ao preenchimento superior dos canais.  A arquitectura deposicional sugere um regime fluvial de alta energia, mantido de forma mais ou menos constante no tempo. Admite-se que a sedimenta\u231\'8d\u227\'8b
o tenha ocorrido em paleovales estreitos, associada a um sistema entran\u231\'8dado de baixa sinuosidade. 
\par \bullet \~Condi\u231\'8d\u245\'9bes clim\u225\'87ticas prop\u237\'92cias a uma meteoriza\u231\'8d\u227\'8bo qu\u237\'92mica acentuada, respons\u225\'87vel pela concentra\u231\'8d\u227\'8bo dos clastos quartzosos e pela abundante neoforma\u231\'8d\u227\'8b
o de caulinite. 
\par \bullet \~A representa\u231\'8d\u227\'8bo de um epis\u243\'97dio sedimentar em rela\u231\'8d\u227\'8bo com um novo impulso tect\u243\'97nico que poder\u225\'87 ter aberto a Depress\u227\'8b
o de Mirandela a um regime definitivamente exorreico, percursor da rede actual atl\u226\'89ntica. 
\par }\pard\plain \s18\qj\ri6\nowidctlpar\adjustright \f4\fs22\lang2070\cgrid {\f0 
\par }\pard\plain \qj\nowidctlpar\adjustright \f4\lang2070\cgrid {\f0\fs22 Os dep\u243\'97sitos que constituem a }{\b\f0\fs22 Forma\u231\'8d\u227\'8bo de Aveleda}{\f0\fs22  situam-se no flanco oeste da depress\u227\'8bo de Mirandel
a. Identificam-se as seguintes caracter\u237\'92sticas:
\par 
\par }\pard \qj\fi-140\li140\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 \bullet \~O car\u225\'87cter superficial e a reduzida exposi\u231\'8d\u227\'8bo destes dep\u243\'97sitos;
\par \bullet \~A disposi\u231\'8d\u227\'8bo sobre uma superf\u237\'92cie aplanada e inclinada no sentido da depress\u227\'8bo;
\par \bullet \~A matriz areno-argilosa, castanho-avermelhada;
\par \bullet \~O car\u225\'87cter conglomer\u225\'87tico, com clastos quartzosos subrolados;
\par \bullet \~A natureza caulin\u237\'92tico-il\u237\'92tica da frac\u231\'8d\u227\'8bo <2\u181\'b5m.
\par }\pard \qj\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 
\par Estes dep\u243\'97sitos resultam fundamentalmente da altera\u231\'8d\u227\'8bo das f\u225\'87cies filitosas e desagrega\u231\'8d\u227\'8bo de quartzitos e fil\u245\'9bes de quartzo. A forma como se disp\u245\'9bem sobre a superf\u237\'92
cie regularizada e as litof\u225\'87cies identificadas em dois afloramentos, sugerem uma origem em fluxos do tipo }{\i\f0\fs22 debris-flow}{\f0\fs22  e }{\i\f0\fs22 mud-flow}{\f0\fs22 .
\par 
\par }{\b\f0\fs22 4.3. Evolu\u231\'8d\u227\'8bo da depress\u227\'8bo de Mirandela
\par 
\par }{\f0\fs22 O conjunto de dados geomorfol\u243\'97gicos e sedimentol\u243\'97gicos obtidos na regi\u227\'8bo de Mirandela, sugere a seguinte sequ\u234\'90ncia de acontecimentos:
\par 
\par }\pard \qj\fi-120\li140\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 \bullet \~A forma\u231\'8d\u227\'8bo de uma escarpa tect\u243\'97nica, hoje recuada e erodida, correspondente \u224\'88 falha de Mirandela, respons\u225\'87vel por um desn\u237\'92vel topogr\u225
\'87fico mais acentuado e uma superf\u237\'92cie basculada a oeste.
\par \bullet \~Os processos que conduziram \u224\'88 deposi\u231\'8d\u227\'8bo dos sedimentos que constituem a Forma\u231\'8d\u227\'8bo de Bragan\u231\'8da, desenrolaram-se sob clima caracterizado por per\u237\'92odos de  precipita\u231\'8d\u227\'8b
o intensa, mobilizando rapidamente os sedimentos em cursos de forte gradiente e com r\u225\'87pida perda do poder de transporte ao atingir a depress\u227\'8bo. 
\par \bullet \~Um impulso tect\u243\'97nico \u233\'8e sugerido pelo car\u225\'87cter grosseiro e ravinante de um Membro superior (M. Atalaia) sobre um Membro inferior (M. Castro). 
\par \bullet \~A evolu\u231\'8d\u227\'8bo desses dep\u243\'97sitos ter\u225\'87 ocorrido em condi\u231\'8d\u245\'9bes predominantemente endorreicas que favoreceram a g\u233\'8enese e preserva\u231\'8d\u227\'8bo da esmectite.
\par \bullet \~Uma nova fase tect\u243\'97nica \u233\'8e evidenciada pelo basculamento da Forma\u231\'8d\u227\'8bo de Bragan\u231\'8da.
\par \bullet \~Como hip\u243\'97tese, admite-se que este \u250\'9cltimo impulso poder\u225\'87 relacionar-se com a abertura desta pequena bacia a um regime definitivamente exorreico, de caracter\u237\'92sticas fluviais, representado pela Forma\u231\'8d\u227
\'8bo de Mirandela. As caracter\u237\'92sticas desta unidade apontam para condi\u231\'8d\u245\'9bes de clima temperado a quente e h\u250\'9cmido, durante o espa\u231\'8do correspondente \u224\'88 deposi\u231\'8d\u227\'8bo de toda a s\u233\'8erie, de que 
\u233\'8e vis\u237\'92vel em afloramento uma espessura de 30 metros. Esta unidade n\u227\'8bo evidencia ter sido afectada tectonicamente. O cont\u237\'92nuo car\u225\'87cter grosseiro do enchimento, sem tend\u234\'90ncia granulom\u233\'8e
trica, sugere a adapta\u231\'8d\u227\'8bo ao encaixe da rede exorreica como resultado do soerguimento regional.
\par \bullet \~Da regulariza\u231\'8d\u227\'8bo do perfil da depress\u227\'8bo resulta um aplanamento do seu flanco oeste. Sobre esta superf\u237\'92cie assentam os dep\u243\'97sitos de Suc\u231\'8d\u227\'8bes (Forma\u231\'8d\u227\'8bo de Aveleda prov\u225\'87
vel); a sua origem poder\u225\'87 ter precedido o actual encaixe fluvial. 
\par \bullet \~Os dep\u243\'97sitos da Forma\u231\'8d\u227\'8bo de Aveleda s\u227\'8bo claramente mais antigos do que os materiais detr\u237\'92ticos, confinados \u224\'88 vertente sul da serra de S. Comba, regularizando o perfil, e com caracter\u237\'92
sticas predominantemente quartz\u237\'92ticas e il\u237\'92ticas.
\par }\pard \qj\nowidctlpar\adjustright {\f0\fs22 
\par }{\b\f0\fs22 5. Conclus\u227\'8bo
\par }{\f0\fs22 
\par A liberdade criativa que a tecnologia de realidade virtual (QTVR) permite, a sua simplicidade e o facto de ser baseada em informa\u231\'8d\u227\'8bo fotogr\u225\'87fica, conferem-lhe um grande potencial na divulga\u231\'8d\u227\'8bo de patrim\u243\'97
nio geol\u243\'97gico junto do grande p\u250\'9cblico e no ensino de conceitos geol\u243\'97gicos. Desta forma, \u233\'8e poss\u237\'92vel pensar numa multiplicidade de exemplos de aplica\u231\'8d\u227\'8bo neste contexto. Deve-se mais uma vez refor\u231
\'8dar a ideia de que esta tecnologia deve ser utilizada numa perspectiva de informa\u231\'8d\u227\'8bo e divulga\u231\'8d\u227\'8bo e nunca de alternativa \u224\'88 visita ao pr\u243\'97prio local. \u201\'83 mesmo aconselh\u225\'87vel que as apresenta
\u231\'8d\u245\'9bes que com ela possam ser criadas sejam pensadas no sentido de motivar o utilizador a visitar os pr\u243\'97prios locais.
\par 
\par Pensamos que, apesar de existirem algumas desvantagens, a utiliza\u231\'8d\u227\'8bo de meios inform\u225\'87ticos na divulga\u231\'8d\u227\'8bo do patrim\u243\'97nio geol\u243\'97gico e no ensino das Geoci\u234\'90
ncias deve ser incentivada e encarada como uma importante vertente em qualquer plano de trabalhos inserido neste contexto.
\par 
\par O conhecimento obtido acerca da depress\u227\'8bo de Mirandela e a disponibilidade de dados variados em suporte inform\u225\'87tico permitiu, atrav\u233\'8es da aplica\u231\'8d\u227\'8b
o das metodologias referidas, elaborar uma viagem de estudo virtual a esta regi\u227\'8bo. A utiliza\u231\'8d\u227\'8bo de metodologias semelhantes, aplicadas a outras regi\u245\'9bes ou casos estudados, permitir\u225\'87
 constituir um apoio para a lecciona\u231\'8d\u227\'8bo das geoci\u234\'90ncias nos v\u225\'87rios n\u237\'92veis de ensino.
\par 
\par }{\b\f0\fs22 6. Bibliografia
\par 
\par }\pard\plain \s18\qj\fi-840\li840\sa120\nowidctlpar\adjustright \f4\fs22\lang2070\cgrid {\f0 Brilha J.B.R., Dias G.T., Mendes A.C., Henriques R., Azevedo I.C., Pereira R. (1999): A Internet e a divulga\u231\'8d\u227\'8bo do patrim\u243\'97nio geol\u243
\'97gico. I Semin\u225\'87rio sobre o Patrim\u243\'97nio Geol\u243\'97gico Portugu\u234\'90s. Instituto Geol\u243\'97gico e Mineiro, Lisboa.
\par }\pard\plain \s20\qj\fi-840\li840\ri9\nowidctlpar\tx6000\adjustright \f4\fs16\lang2070\cgrid {\f0\fs22 Cabral, J. (1995): Neotect\u243\'97nica em Portugal Continental. }{\i\f0\fs22 Mem\u243\'97rias do Instituto Geol\u243\'97gico e Mineiro}{\f0\fs22 
, 31, 265p. Lisboa.
\par }\pard\plain \qj\fi-840\li840\sa120\nowidctlpar\adjustright \f4\lang2070\cgrid {\f0\fs22 Compiani, M. & Carneiro, C. (1996): }{\i\f0\fs22 The didactic role played by geological excursions. In Geoscience, Education and Training}{\f0\fs22 
. Stow & McCall (Eds). A. A. Balkema, Rotterdam.
\par Pereira, D. I.}{\scaps\f0\fs22  }{\f0\fs22 (1998): Sedimentologia e Estratigrafia do Cenoz\u243\'97ico de Tr\u225\'87s-os-Montes oriental (NE Portugal). Disserta\u231\'8d\u227\'8bo para obten\u231\'8d\u227\'8b
o do grau de Doutor. 341 p. Universidade do Minho. Braga.
\par }}