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No Jurássico do Cabo Mondego, as excepcionais condições de observação e a invulgar continuidade no registo sedimentar aliam-se a um importante espólio de associações de fósseis particularmente significativo nos domínios da paleontologia de amonites e da paleoicnologia de dinossauros (cuja primeira referência data de 1884).
O perfil da passagem Aaleniano-Bajociano insere-se numa espessa série de sedimentos marinhos e fluvio-lacustres que expressam, de uma forma notável, alguns dos principais acontecimentos da História da Terra que ocorreram durante o Jurássico.
O recente estabelecimento do GSSP (Global Boundary Stratotype Section and Point) do Bajociano no Cabo Mondego (Figueira da Foz, Portugal) pela IUGS (International Union of Geological Sciences) confere-lhe a relevância internacional inerente a um estratotipo e reforça o carácter urgente da sua protecção e valorização.
A classificação dos afloramentos do Jurássico do Cabo Mondego como Monumento Natural, de acordo com a legislação actualmente em vigor, justificam-se com base no elevado interesse paleontológico e estratigráfico, na enorme utilidade científica e didáctica e no impacte a nível internacional que caracterizam aquele Património Geológico.